A INVENÇÃO DO RÁDIO
A invenção do rádio é creditada ao inventor e cientista italiano Guglielmo Marconi, nascido em 1874 na cidade de Bolonha. Desde menino demonstrando interesse pela Física e Eletricidade, Marconi foi o primeiro a dar explicação prática aos resultados das experiências de laboratório anteriormente realizadas por Heinrich Hertz, Augusto Righi e outros. Pelos resultados dos estudos de Hertz, Marconi concluiu que tais ondas poderiam transmitir mensagens, e, assim, em 1895, fez suas primeiras experiências, com aparelhos rudimentares, na casa de campo de seu pai. Conseguiu fazer chegar alguns impulsos elétricos a mais de um quilômetro de distância. Observou, também, que elevando a altura das antenas, alcançava maior distância. Não tendo apoio do governo italiano, foi para Inglaterra, em 1896, onde obteve a primeira patente para o seu telégrafo sem fio devido aos interesses comerciais dos ingleses, já que através desse invento poderiam alcançar navios cargueiros afastados da costa.
Após essas experiências, Marconi foi convidado pelo governo italiano a regressar ao seu país, onde instalou uma estação em Spezia para comunicação com navios de guerra, alcançando, então, 20 quilômetros de distância. Marconi recebeu o Prêmio Nobel de Física juntamente com Karl Ferdinand Braun, em 1909. A primeira irradiação musicada foi feita em 1920, e, em setembro de 1922, conseguiu pela primeira vez, na Inglaterra, alcançar a Austrália, também com o emprego se transmissão por centelha (timed spark system). Em 12 de outubro de 1931, comprimindo um botão em Roma, Marconi transmitiu sinais de rádio que ligaram o comutador geral da iluminação do monumento do Cristo Redentor, erguido no Alto do Corcovado, no Rio de Janeiro. Marconi morreu em Roma em 1937.
ROQUETE PINTO - O Pai do Rádio no Brasil
Conhecido como um dos principais antropólogos do Brasil, Edgard Roquete Pinto, "o pai do rádio" no País, demonstrou grande interesse em relação aos meios de comunicação, em especial ao rádio. Em situação embrionária no Brasil, Roquete previu imediatamente o seu uso como um difusor de cultura popular. O sucesso da primeira irradiação no Brasil, em 1922, durante as Comemorações do Centenário da Independência, realizada no alto do Corcovado, no Rio de Janeiro, transmitindo o discurso do então presidente Epitácio Pessoa, foi a gota d´água para os planos da primeira emissora brasileira, embora na cronologia da comunicação eletrônica de massa brasileira o surgimento do rádio no Brasil é marcado com a fundação da Rádio Clube de Pernambuco por Oscar Moreira Pinto, no Recife, em 6 de abril de 1919. Em 1923, vários aparelhos de recepção instalados no Rio de Janeiro receberam os primeiros sons e vozes dos discursos de inauguração da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Seu criador, Roquete Pinto, havia dado o primeiro grande passo para a efetivação de um projeto cultural. Rapidamente, diante da concorrência surgida entre as emissoras, a evolução tecnológica ampliou-se e, na década de 30, os estúdios começaram a abrir as suas portas para o público. Rompia-se, então, o elitismo existente até então. Em 1934, com a crescente necessidade de formação de pessoal para atuar dentro das emissoras, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, pioneira, transformou-se na Rádio Municipal do Rio de Janeiro, conhecida como Rádio Roquete Pinto. De norte a sul do Brasil, as rádios começaram a influenciar o modo de vida das pessoas, lançando ao estrelato grandes nomes da música, como Francisco Alves, Vicente Celestino, Dalva de Oliveira, Emilinha Borba, Silvio Caldas, Dóris Monteiro etc.
O pós guerra foi marcado pelos concursos de "rainha" e "rei" do rádio, destacando-se nesse período a cantora Dircinha Batista, que ganhou o título a partir de 1948, mantendo-se por 11 anos. Estes concursos cativaram ouvintes, que formaram fãs-clubes para as eleições anuais de seus ídolos.
Foi na década de 50 que o esporte ganhou adeptos pela a irradiação de jogos de futebol, principalmente em épocas de Copa do Mundo. Muitos "speakers" (locutores) tiveram seus nomes vinculados ao esporte, como Geraldo José de Almeida, Oduvaldo Cozzi, Pedro Luis, Jorge Curi e Paulo Planet Buarque. Uma pesquisa realizada em 1955 estimava em 477 as emissoras de rádio existentes e aproximadamente meio milhão de aparelhos receptores. Esses números vinham ao encontro do pensamento quase profético de Roquete Pinto de popularização do meio de comunicação rádio.
A VERSÃO DE UM BRASILEIRO
A história da invenção do rádio passa pelo Brasil através da figura do padre gaúcho Roberto Landell de Moura, nascido em Porto Alegre em 1862. Ele desenvolveu um aparelho que transmitia e recebia a voz humana sem a utilização de fios condutores. Sua primeira experiência aconteceu em São Paulo, em 1893. O sucesso do feito colocou em xeque sua sanidade mental diante de seus superiores. Sete anos depois, Landell de Moura consegue a patente brasileira de seu invento. Em 1901, sem apoio das autoridades brasileiras, embarca para os Estados Unidos onde patenteia o telégrafo sem fio, o telefone sem fio e o transmissor de ondas. Após três anos no exterior, Landell de Moura volta ao Brasil e solicita ao então presidente Rodrigues Alves a liberação de dois navios para demonstrações com seu telégrafo sem fio. Taxado de louco, teve seu pedido negado. Regressou ao Rio Grande do Sul, morrendo aos 66 anos de idade na cidade de Porto Alegre em 30 de junho de 1928.
A Radionovela “Em Busca da Felicidade”
O dia 5 de junho de 1941 ficou na história do rádio brasileiro como a data mais importante do rádio-teatro. Exatamente às dez e meia da manhã, Aurélio Andrade anunciou ao microfone da Rádio Nacional do Rio de Janeiro:
"Senhoras e Senhores, o famoso Creme Dental Colgate apresenta... o primeiro capítulo da empolgante novela de Leandro Blanco, em adaptação de Gilberto Martins... EM BUSCA DA FELICIDADE". Um vento de emoção varreu o país de norte a sul. Era a primeira autêntica história seriada radiofônica, que haveria de durar 2 anos e que marcaria uma época, assinalando novos rumos, abrindo novos horizontes, expandindo negócios e as oportunidades artísticas brasileiras e que perduram até hoje nas novelas televisadas. Alguns artistas dessa rádio-novela fizeram carreira na TV e no cinema, como Rodolfo Mayer e Brandão Filho.
Veja abaixo nos mostra os principais atores e responsáveis pelo sucesso de EM BUSCA DA FELICIDADE. Está faltando, porém, uma foto importante: a de Gilberto Martins, que foi o adaptador do texto e o introdutor da novela no Brasil. A ele, também, a nossa homenagem.
Rodolfo Mayer é Alfredo Medina, proeminente engenheiro que divide seu coração entre Anita, sua esposa e Carlota, sua amante.
Zezé Fonseca é Anita de Mantemar, esposa de Alfredo Medina. Sofre o drama de ter de dividir com Carlota o amor de seu marido.
Isis de Oliveira é Alice Medina, filha de Carlota com Alfredo Medina e que foi criada por Anita como filha adotiva.
Floriano Faissal é o Dr. Mendonça, médico de grande fama e amigo do casal Alfredo-Anita, e que tudo faz para manter a harmonia entre os dois.
Yara Sales é Carlota Morais, vítima de um destino cruel e caprichoso, mãe verdadeira de Alice e caso amoroso de Alfredo Medina.
Lourdes Meyer é Constança, esposa de Fonseca e mãe de Carlos. Procura impedir o casamento do filho com Alice.
Saint Clair Lopes é Benjamim Prates de Oliveira, o português que se apaixona por Carlota e com ela se casa, mas sofre de angústias de saber que a mulher ainda ama Alfredo.
Brandão Filho é Mão Leve, o ladrão que rouba uma jóia de Carlota e na prisão acaba se tornando amigo de Benjamim Prates e é por ele protegido.
Victor Costa foi o responsável pela execução do Rádio Teatro Colgate. A novela lhe deve grande parte do seu sucesso.
Maria Helena era a locutora e narradora que relembrava os acontecimentos dos capítulos anteriores da novela, e remarcava os argumentos que justificavam o prestígio dos produtos Colgate.
Humorismo
Com o êxito do radioteatro, que era dirigido por Victor Costa, a Rádio nacional colhia mais uma vitória espetacular em sua longa trajetória de realizações agigantadas. Lançaria então, os mais variados tipos de programas, da Música Sinfônica ao Humorismo, dos "Grandes Festivais de Música" à "PRK-30" (Lauro Borges e Castro Barboza) e ao "Balança... Mas Não Cai", (Max Nunes) - programas esses que eram com textos ricos em humor.
BALANÇA-MAS-NÃO-CAI
O programa Balança-Mas-Não-Cai, veiculado pela Rádio Nacional, e depois exibido pela TV Globo, tinha no quadro Primo Rico Primo Pobre uma das maiores audiências da época. Com texto de Paulo Gracindo, tinha a interpretação de Paulo Gracindo (Primo Rico) e Brandão Filho (Primo Pobre). O Balança foi o primeiro programa de humor a utilizar quadros isolados sem nenhuma interligação. O único elo entre eles era o próprio edifício onde se desenrolavam as cenas. Apresentava um humor de características bem cariocas, mas acabou impondo em quase todos os grandes centros radiofônicos do país.
POSTADO POR ANTONIO PAIVA RODRIGUES

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