A ética no rádio
Por Antonio Paiva Rodrigues
A palavra ética, muito usual nos
dias atuais, está se esvaindo e cedendo lugar a trasgos de baixarias, palavras
de duplo sentido, procedimentos indignos, ou pérfidos, sórdidos e situações
decorrentes de radialistas que esqueceram que o rádio foi programado para
educar, e não deseducar. Por incrível que pareça, a pornografia tornou-se banal
no meio radiofônico de Fortaleza. O rádio deve ter uma linha de ação norteadora
a todos os que têm compromisso com o microfone. Não só o repórter, o redator,
mas principalmente o locutor, deve mensurar o que vai expor aos seus ouvintes.
O radialista, seja qual for o seu campo de atuação, tem o dever de cultivar a precisão, a clareza, a objetividade, a
seriedade. O que menos se vê em alguns programas de rádio aqui em Fortaleza é a
seriedade e, quando se reclama, eles afirmam que o povão gosta.
O jornalista Armando Figueiredo
diz que o radialista tem que ter plena noção de que milhões de brasileiros, nas
áreas urbanas e rurais, dependem da massa de informações que lhes proporciona o
rádio, que tão profundamente influi na sua formação para criar juízos próprios
e, assim, assumir e manter cidadania (qualidade ou estado de cidadão).
Mais do que uma bela voz, o
locutor tem que exercer a cidadania com ética e educação, esquecer os palavrões
e as histórias de mau gosto e a banalização da pornografia. Fortaleza possui
uma Associação de Ouvintes de Rádio (Aouvir), exercendo um papel preponderante
na qualificação dos grandes programas e na escolha dos bons profissionais do
rádio. Aqueles radialistas que se destacam são premiados com um diploma em
sessão solene, na casa de Juvenal Galeno. É uma instituição séria composta por
pessoas de boa índole, não remuneradas, visto que trabalham com amor e
dedicação, e com objetivo precípuo de obtermos um rádio de qualidade.
Missão de moralização
O poder de agressão não faz o
gênero do radialista. No último dia 23 de setembro de 2005, a Associação foi
surpreendida por um festival de impropérios desferido por um radialista que
trabalha na maior rede de radiodifusão do Ceará. Intrigou-nos o motivo de tais
agressões, pois nosso grupo não procura fazer caçada às bruxas nem tem o
intuito de perseguição. Pelo contrário, nosso objetivo primordial é fazer e
colaborar para que tenhamos um rádio de qualidade com profissionais competentes
e que se destaquem fora da terrinha. A informação sem preconceitos, sem
ridicularização, deve servir e interagir com respaldos jornalísticos e fazer
parte do écran, do rol sinonímico da radiodifusão.
Autor desse desfecho triste e
lamentável: o radialista Paulo Oliveira. Não queríamos citar nomes aqui nessa
matéria, mas a bestialidade está se tornando tão banal que nos restou a missão
de dar nome àqueles que desvirtuam a missão do radialista, jogando nuanças
negativas no ar. O radialista e apresentador de televisão João Inácio Júnior é
outro que com seu "jereba" vem escandalizando o público ouvinte de
rádio. Com seu poder de criação negativo joga impropérios no ar, imitando
Silvio Santos, proprietário do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT).
Torcemos por um rádio de
qualidade e queremos ver o progresso dos nossos meios de comunicação, mas, do
jeito que está, a tendência é o declínio moral do rádio cearense. Deixamos a
missão de moralização do rádio para os grandes radialistas que temos e, pelo
andar da carruagem, iremos chegar à conclusão de que a comunicação radiofônica
estacionou e os profissionais do passado faziam um rádio com mais amor e
seriedade. A conotação de vendas de horários em estações de rádios vem
interferindo negativamente na programação radiofônica.
ANTONIO
PAIVA RODRIGUES- FORTALEZA/CEARÁ

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