A reportagem no rádio
Por Antonio Paiva Rodrigues
A reportagem radiofônica se
reveste de uma importância fundamental. Muitos cuidados devem ser observados
durante a entrevista. Para isso se faz necessário a presença de um jornalista
na coordenação das programações de rádio. O profissional do rádio chama-se
radialista e sua importância para o sucesso de sua empresa de comunicação é
fundamental. Ética, compromisso com os ouvintes e interação são pontos que não
podem ser distorcidos. Numa rádio séria e com teor e programação jornalística,
todos fazem o papel de repórter ou são repórteres. Essas nuanças podem ser
balizadas desde o proprietário da emissora, a quem está ou não diretamente
ligado captar e produzir notícias.
Os estudiosos em Comunicação
classificam as emissoras de rádio em rádio quente ou viva e emissora
burocrática ou anódina. Convém salientar que a palavra anódina tem como
sinonímia “palavra derivada do grego granódynos, e do latim anodynu e tem como
sentença adjetiva o que mitiga as dores (medicamento); acesódino, analgésico,
antálgico, paliativo, insignificante, medíocre”. Que é pouco importante;
secundário. Jamais desejaremos que uma emissora de rádio se encarte nessa
classificação, mas apesar dos pesares, ainda a encontramos no ciclo radiofônico
brasileiro.
Onda portadora
De acordo com a Constituição
Federal de 1988, o prazo de concessão para serviço de radiodifusão sonora é de
10 anos e pode ser renovado pelo mesmo prazo por períodos sucessivos. O banco de dados da Anatel, que é também alimentado pelo
Ministério das Comunicações, indica casos em que a validade das outorgas venceu
há 11, 13 e até 17 anos. É inacreditável que isto esteja ocorrendo. As
emissoras de rádio, atualmente, funcionam no sistema AM (Amplitude Modulada) –
FM (Frequência Modulada), e frequência de ondas curtas, médias, ondas longas. O
estúdio, onde é gerada a programação, é um sistema composto de diversas salas à
prova de som, existem os mixers, ou misturadores, onde são harmonizadas as
saídas das salas do estúdio e sala de controle para transmissão em cadeia, se
for o caso.
Quando a estação transmissora se
encontra distante do estúdio, um circuito especial (chamado link) faz o enlace
das duas, geralmente em Ultra Alta Frequência, ou, modernamente, via satélite.
Nas salas do estúdio estão os microfones, que captam os sons emitidos, vozes,
músicas ao vivo etc. São enviados aos equipamentos de mixagem e editoração,
depois aos pré-amplificadores, amplificadores, moduladores, estágios de potência
e finalmente às antenas, para serem irradiados em forma de ondas
eletromagnéticas, capazes de viajar pelo espaço a longas distâncias. A onda de
radiofrequência é a chamada onda portadora, no caso do AM, ou FM, pois em SSB
não existe portadora, embora comumente não se use portadora suprimida para
transmissão de radiodifusão.
Retaguarda jurídica
Essa parafernália irá trazer
benefícios e as reportagens e outros programas fluirão com mais dinamismo. Na
reportagem, o som deve ser o mais limpo possível, sem ruídos e chiados. O bom
repórter não pode ser apelidado de segurador de microfone. Uma excelente
reportagem deve ter sempre calma e cautela. Pare um pouco agora e leia com
atenção as dicas a seguir.
São elas: preparar o ambiente, o
coração em Deus, não deixe pra amanhã, capriche no título, deixe o visual
atraente, cative o leitor no início, não deixe o conteúdo preso ao texto, seja
original, parcial e pessoal, revise antes de publicar, finalize a reportagem e
sucesso. Para escrever uma reportagem, preciso antes de qualquer coisa,
sentar-me num local com um nível, no mínimo aceitável, de organização.
Portanto, arrume bem o local aonde você vai escrever. Pense no que você vai
precisar e deixe logo ao alcance para que não aconteça que venha a se dispersar
várias vezes enquanto escreve e você acabe perdendo o "fio da meada"
do que estava escrevendo.
Temos vários tipos de
reportagens. A reportagem investigativa, segundo Fred Vasconcelos, tem 28
cuidados especiais para torná-la uma reportagem de peso e medida.
1. Antes de iniciar uma
investigação, esteja certo de que a publicação para a qual trabalha tem
interesse no tema e disposição para enfrentar resistências e coibir pressões.
Esse cuidado, aparentemente óbvio, evita frustrações, desentendimentos
posteriores com chefias e constrangimentos que poderão ser evitados.
2. É importante que haja
compreensão dos riscos envolvidos e que seja assegurada a retaguarda jurídica
para garantir ao repórter o exercício tranquilo de seu trabalho.
Eventuais interesses
3. As reportagens devem ser
realizadas com todos os cuidados para se evitar contestações, seja por meio de
cartas, de desmentidos oficiais ou em ações de indenização e processos
criminais.
4. Processos contra jornalistas
podem ser usados para abortar o tratamento de casos rumorosos pela imprensa ou
para tentar desqualificar o profissional.
5. Ações de reparação movidas
contra empresas jornalísticas têm um custo muito elevado, mesmo antes de
eventual indenização. Na prática, esses processos obrigam o jornalista a fazer
uma segunda apuração, reportagem que não será publicada. Se os cuidados
preliminares não foram tomados, haverá o desconforto da busca de provas que
deveriam ter sido obtidas antes da publicação, ou de solicitações incômodas
para que revelações e afirmações obtidas off the record, em confiança,
sejam repetidas formalmente perante um juiz.
6. Muitas vezes, a imprensa
"compra" a suposição de que as provas de um crime estão evidentes ou
"vende" ao leitor a idéia de que essa comprovação virá na edição
seguinte. Não são raras as reportagens a partir de simples depoimentos, sem
provas, acenando com a perspectiva de que elas virão tão logo seja quebrado o
sigilo dos suspeitos. Investigações preliminares tratadas como condenações
públicas definitivas ajudam a alimentar a indústria das indenizações. Uma vez
livres de inquéritos mal-instruídos, ou beneficiados por sentenças
contraditórias, restará aos acusados "limpar o nome na praça" com
ações de danos morais contra os jornalistas.
7. Ao tomar conhecimento de algum
fato que mereça investigação, o jornalista deve procurar, antes de sair a
campo, levantar todas as informações possíveis sobre o fato. Deve saber os
eventuais interesses de quem está sugerindo a reportagem e avaliar se há
interesse público no que será investigado. É importante saber a quem a
reportagem prejudicará e quem será beneficiado com a divulgação dos fatos.
Novas fontes
8. O repórter deve manter
saudável distanciamento das fontes. Mesmo que os interesses sejam legítimos, a
fonte original não deve exercer influência no processo de apuração e nas
conclusões da reportagem. O jornalista não pode depender de uma única fonte.
Mesmo confiando plenamente no seu informante, é saudável ouvir a opinião de
outras pessoas de confiança. Se possível, obter avaliação neutra sem citar as
partes envolvidas.
9. As denúncias devem ser
tratadas como material preliminar para a investigação jornalística.
Declarações, mesmo gravadas, podem ter efeito limitado. Uma afirmação feita ao
jornalista pode não ser sustentada, depois, diante do delegado de um inquérito.
Uma afirmação no inquérito pode ser refeita ou negada perante o juiz.
10. É recomendável pesquisar em
outras publicações sobre os personagens centrais. Os casos apurados geralmente
têm ramificações. Se for uma disputa judicial, é preciso conferir se há
processos relacionados ao caso que não tenham sido informados ao jornalista.
11. É possível que chegue às mãos
do repórter apenas uma peça de uma disputa mais ampla. Por isso, deve sempre
ser feito um levantamento prévio de todos os envolvidos, consultando-se outros
casos em que atuam os advogados das partes. Essa é uma forma de encontrar novas
fontes, novos caminhos, para uma matéria cuja apuração às vezes não avança.
Ouvir a parte contrária
12. O repórter deve pedir
comprovante e cópias de documentos. É útil guardar tudo que não puder publicar.
Sempre que possível, ter documentos em mão. Quando for recebido um documento
por fax, tirar fotocópia e guardá-la. A cópia por fax costuma ficar ilegível.
13. Antes de começar uma
entrevista, deve-se deixar bem claro o objetivo da reportagem. O entrevistado
deve ter o tempo que for preciso para pensar, para voltar atrás, refazer suas
respostas. É um direito seu.
14. Sempre se deve terminar uma
entrevista perguntando ao entrevistado se ele gostaria de acrescentar alguma
coisa que não tenha sido questionada pelo repórter.
15. Deve-se pedir ao entrevistado
que diga claramente qual o ponto que considera mais importante a ser ressaltado
ou a afirmação que julgue mais relevante. É a opinião dele que deve prevalecer.
16. O jornalista deve guardar as
fitas de gravações e sempre pedir permissão para gravar. A recusa à gravação
pode ser um indicador da firmeza, ou não, de sua fonte ou de seu entrevistado.
Costumo perguntar se a fonte ou o entrevistado sustentaria em juízo a
informação ou opinião que me está passando. A reação ajudará a sopesar os
fatos.
17. O repórter deve prestar muita
atenção às datas. As contradições às vezes surgem na análise de detalhes.
Recomenda-se ler e reler o material levantado, mesmo depois de publicada a
primeira reportagem.
18. É importante trabalhar de
forma organizada, registrando horário e datas de telefonemas e entrevistas.
Considerando a possibilidade de processos futuros, é essencial poder comprovar
as várias iniciativas tomadas para ouvir a parte contrária antes da publicação
da reportagem.
Pontos vulneráveis
19. As melhores reportagens são
as mais equilibradas. A não ser nos casos em que essa prática impeça a
apuração, quanto mais cedo o jornalista procurar o "outro lado", mais
amplo será o contraditório. Se a reportagem é relevante e exclusiva, o repórter
deve permitir à parte acusada tempo suficiente para levantar informações,
documentos. Esse cuidado servirá também para mostrar que o jornalista agiu de
boa-fé, dado essencial se houver um processo.
20. Se não conseguir ouvir a
parte contrária, o jornalista deve procurar os advogados dos acusados. Se não
tiver êxito, é prudente procurar manifestações anteriores em favor dos acusados
ou a opinião de amigos dos acusados.
21. Ao redigir o texto, não se
devem fazer acusações. É importante consultar especialistas, que poderão emitir
pareceres. Deve ser pedida avaliação a mais de um profissional. É conveniente
evitar adjetivos.
22. O repórter só deve escrever quando
tiver total conhecimento sobre os fatos a serem reportados. Havendo dúvidas,
deverá voltar a consultar as fontes.
23. É recomendável consultar
advogados para identificar pontos vulneráveis no texto. Expressões e formas de
relatar os fatos podem ser substituídas no texto sem comprometer a reportagem.
Naturalidade e honestidade
24. Uma segunda leitura, feita
por um colega da redação, sempre pode ajudar o repórter a tornar o texto mais
claro e a eliminar duplas interpretações.
25. O repórter deve ajudar o seu
editor, entregando o texto com sugestões de títulos, subtítulos e legendas de
fotos. Muitas vezes os processos são movidos por causa de pequenos descuidos em
títulos, artes ou em quadros explicativos.
26. O jornalista deve procurar
ouvir a parte atingida tão logo a reportagem seja publicada. Além de
demonstração de zelo, boa-fé e disposição para retificações, essa iniciativa
pode manter a exclusividade na retomada do assunto. Se os procedimentos foram
corretos na fase anterior, o acusado vai preferir que a sua versão esteja no
dia seguinte na mesma publicação.
27. Deve-se sempre manter a
isenção, deixar claro que o trabalho é impessoal. Quanto mais espaço para
garantir o contraditório, menor a possibilidade de a reportagem vir a ser
interpretada como perseguição.
28. Finalmente, deve-se
estabelecer como meta realizar reportagens tão bem apuradas e equilibradas que
desestimulem desmentidos, no dia seguinte, ou ações judiciais no futuro. Se,
depois desses cuidados todos, ficar comprovado o erro, o jornalista deve
admitir o fato com naturalidade e honestidade e assumir sua responsabilidade (ver aqui). Siga estas exemplificações, seja um grande repórter
e eleve bem alto o nome de sua emissora. O repórter trabalha com amor,
dedicação e responsabilidade. Sem esses requisitos não haverá sucesso. Avante,
companheiros. A comunicação espera por vocês.
ANTONIO PAIVA
RODRIGUES-FORTALEZA/CEARÁ

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